A Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) é a infraestrutura oficial de comunicação que conecta instituições financeiras ao Sistema Financeiro. Ela garante que transações, mensagens regulatórias e operações críticas circulem com segurança, integridade e disponibilidade contínua (24×7), sustentando o funcionamento de diversos sistemas do mercado financeiro, incluindo o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).
Conforme definido no Manual de Redes do Sistema Financeiro Nacional, a RSFN é uma rede privada, padronizada e operada exclusivamente por provedores homologados, sendo um dos pilares tecnológicos do mercado financeiro brasileiro.
História da RSFN
Criada no início dos anos 2000, durante a modernização do Sistema de Pagamentos Brasileiro, pelo Banco Central e por empresas envolvidas na padronização deste mercado, a RSFN se tornou uma infraestrutura capaz de suportar liquidações em tempo real, padronizar a comunicação entre instituições, a segurança das transações e a redução de riscos sistêmicos, além de garantir interoperabilidade entre todos os participantes do sistema financeiro.
A rede foi concebida para ser privada, com criptografia e grande resiliência, operada por provedores homologados e dedicada exclusivamente ao tráfego de informações financeiras.
Funcionamento da RSFN
Seu funcionamento é como uma espinha dorsal de comunicação entre participantes, como instituições financeiras, e as câmaras de compensação (clearings), permitindo troca de mensagens padronizadas, envio de informações regulatórias, liquidação de operações interbancárias e acesso aos sistemas críticos do mercado financeiro brasileiro, como STR, SPI (Pix), Selic e Núclea.
Toda a comunicação é protegida por padrões de criptografia, que garantem autenticação, integridade e confidencialidade das mensagens.
É importante ressaltar que a criptografia da RSFN refere‑se ao uso de certificados digitais, conforme o Manual de Redes, e não à criptografia de enlace, tema que vem sendo discutido no contexto da modernização da RSFN.
GT‑Redes: a governança técnica da RSFN
O grupo de trabalho de redes (GT-Redes) é o fórum técnico responsável por discutir, evoluir e padronizar aspectos operacionais da RSFN. Ele é composto pelo Banco Central do Brasil (coordenação), signatárias, clearings, operadoras homologadas (como a RTM), representantes das instituições financeiras e entidades técnicas envolvidas no Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Entre os principais objetivos do grupo estão a definição de padrões técnicos e operacionais, a revisão de requisitos de segurança e disponibilidade, o acompanhamento de incidentes, com propostas de melhorias, e a garantia da interoperabilidade entre operadores e instituições.
O GT‑Redes é fundamental para manter a RSFN atualizada, estável e alinhada às necessidades do SFN.
Operadoras homologadas da RSFN
A RSFN é operada exclusivamente por dois provedores homologados pelo Banco Central, conforme o Manual de Redes:
RTM – Rede de Telecomunicações para o Mercado Financeiro
Criada em 1997, especializada no setor financeiro, fornece:
- conectividade homologada à RSFN;
- baixa latência e alta disponibilidade;
- arquitetura redundante;
- suporte técnico especializado em mensageria e SPB.
Operadora adicional que funciona em cluster com a RTM
Operadora global de telecomunicações, que oferece:
- infraestrutura de rede de grande abrangência;
- conectividade redundante;
- suporte técnico alinhado aos requisitos da RSFN.
Ambas seguem rigorosamente os padrões definidos pelo SFN, garantindo isonomia e interoperabilidade entre todas as instituições conectadas.
GI2N – Gerência Integrada de Segundo Nível da RSFN
A Gerência Integrada é a central de segundo nível, responsável pelo monitoramento e coordenação operacional da RSFN.
Operado pelo CPQD, sob supervisão do Banco Central, o GI2N monitora a disponibilidade da rede, atua como ponto de escalonamento entre operadores e o BCB, coordena incidentes de rede, garante aderência aos padrões técnicos, e apoia todas as instituições durante ativações e mudanças, sendo essencial para a resiliência e governança da RSFN.
Importância estratégica da RSFN
A RSFN é um ativo crítico do país porque garante continuidade operacional das transações financeiras, conectando instituições aos sistemas centrais do SFN (STR, SPI, Selic) e padronizando a comunicação entre todos os participantes do mercado. Além disso, a rede assegura a integridade das mensagens via certificados digitais, reduz riscos sistêmicos e aumenta a confiabilidade no mercado.
Sem ela, o sistema financeiro brasileiro não conseguiria operar de forma segura e coordenada.
Como é o processo de homologação da instituição financeira junto ao Banco Central para uso da RSFN
Para utilizar a RSFN, a instituição financeira deve passar por um processo formal de homologação junto ao Banco Central, conforme descrito nos normativos. Esse processo garante que a instituição esteja tecnicamente preparada e em conformidade com os requisitos necessários de segurança e comunicação.
A seguir temos um resumo do passo a passo a ser seguido pelas instituições, para este processo:
1. Requisitos prévios
A instituição deve:
· possuir autorização de funcionamento emitida pelo BCB;
· definir os sistemas que pretende acessar;
· possuir infraestrutura mínima de TI;
· designar responsáveis técnicos e operacionais.
2. Contratação das operadoras homologadas
A instituição deve contratar circuitos da RTM e da outra operadora para acesso direto à RSFN, conforme a sua necessidade de resiliência, seguindo as topologias apresentadas no Manual de Redes.
As operadoras serão responsáveis por:
· prover os circuitos de acesso à RSFN;
· garantir disponibilidade e redundância;
· apoiar na configuração inicial;
· monitorar proativamente a rede e todos os circuitos instalados.
3. Contato com o GI2N (CPQD)
Após contratar as operadoras, a instituição deve:
· abrir processo de ativação junto ao GI2N;
· enviar documentação técnica;
· agendar testes de conectividade.
4. Emissão e validação dos certificados digitais
A instituição deve emitir e instalar os certificados exigidos pelo Manual de Redes, garantindo:
· autenticação;
· integridade;
· confidencialidade.
5. Testes obrigatórios
Incluem:
· testes de comunicação com as operadoras;
· testes com o GI2N;
· validação de mensageria;
· testes de redundância;
· testes de acesso aos sistemas do BCB.
6. Homologação final pelo Banco Central
O BCB valida:
· conformidade técnica;
· certificados e permissões;
· aderência ao Manual de Redes.
Após aprovação, o acesso é oficialmente liberado.
7. Início da operação
Com a homologação concluída:
· o acesso é ativado;
· o GI2N passa a monitorar;
· as operadoras assumem o suporte de primeiro nível.
Conclusão
A RSFN é uma infraestrutura essencial para a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e sua operação envolve governança técnica, monitoramento centralizado (GI2N/CPQD) e duas operadoras homologadas (entre elas, a RTM), garantindo segurança, disponibilidade e padronização.
A combinação entre RSFN + operadoras homologadas + governança do BCB sustenta a confiabilidade das transações financeiras, a resiliência do sistema bancário, a segurança regulatória e operacional das instituições e a estabilidade do ecossistema financeiro brasileiro.
A RTM, sendo operadora homologada para a RSFN, permanece à disposição para apoiar instituições financeiras em todas as etapas de contratação, ativação e homologação, sempre em conformidade com as diretrizes do SFN.
Oity de Campos Neto
Consultor de Negócios da RTM


