Como crimes de fraudes, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado se aproveitam justamente das brechas entre sistemas e áreas isoladas de uma empresa para se concretizarem? Foi a partir deste questionamento que o CEO da FIRA, Felipe Venâncio, fundamentou sua apresentação no estande da RTM durante o Febraban Tech 2026.
Felipe defendeu que estes crimes são “fenômenos” transversais, atravessando diferentes departamentos de uma empresa, sem que ninguém perceba. “São 14 anos construindo tecnologia de compliance e observando, todo dia, a fraude passar exatamente onde ninguém está olhando”.
Segundo ele, enquanto o compliance atuar em estruturas verticais e desconectadas, com cada controle nascendo de uma regra diferente, de um time diferente e com dados diferentes, o fraudador terá mais chances de perpassar por essa estrutura.
É a fragmentação das informações entre sistemas de Know Your Client (KYC), antifraude, PLD/FT e surveillance que geram falsos positivos, respostas tardias e casos invisíveis, especialmente se os cadastros estiverem desatualizados e os dados inconsistentes, com o surgimento de ameaças dentro da própria instituição.
Todo este cenário expõe a empresa a multas dos reguladores – como Banco Central do Brasil e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) –, a riscos reputacionais e à responsabilização pessoal dos administradores. Em 2024, foram registrados US$ 4,6 bilhões em multas de PLD/FT e crimes financeiros no mundo.
Felipe destacou cinco silos principais que aumentam os riscos em uma instituição:
- Silo por produto: quando o balcão não conversa com os listados;
- Silo de entrada: com background check só na porta;
- Silo de dados: no cadastro que aceita qualquer coisa;
- Silo de controles internos: quando a fraude vem de dentro de casa;
- Silo cultural/mental: quando há medo de questionar o regulador.
Como solução, o CEO da FIRA propõe transformar o compliance em uma plataforma integrada de inteligência, conectando dados cadastrais, transacionais, comportamentais e de mercado ao longo da jornada da instituição. Para isso, é preciso mapear as lacunas entre as áreas, conectar os silos de maior risco, tornar o KYC contínuo e analisar casos correlacionados, em vez de apenas contabilizar alertas.
“Enquanto o compliance for vertical e a fraude for transversal, a fraude ganha por construção”, conclui Felipe.


